sexta-feira, 14 de agosto de 2015

what if




O que é a vida
Se não
Os sonhos que se cultiva
Se não aquela esperança gasta
Em que ninguém mais acredita
O sonho do grande amor
O desejo de merecimento
A expectativa pela conquista

O que é a vida
Se não a desilusão que se desfaz
O medo que se extingue
A doença da qual se livra

O que seria  a vida
Se não fosse a retomada constante
A aposta num caminho incerto
A ilusão do prazer de hoje

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Olhos trocados


Sempre quis ser vista, notada nos detalhes, observada nas pequenezas, milimetricamente analisada por quem fosse capaz de me admirar. Queria olhos que me vissem e me desejassem, mas não o óbvio, as sutilezas. Estas insignificâncias capazes de passar despercebidas por quem não está atento. Queria a atenção de quem fosse capaz de ver, compreender e expor. Alguém que fizesse poesia sobre minhas marcas, que descrevesse um gemido único, percebesse uma esguelha no olhar e seu significado. Ser apreciada pelo que me é especial. Ou tornar especial para o outro coisas tão minhas.

Hoje vivi isso. Fui descrita em estado cru. Como só um grande amor seria capaz. Eu pensava. Mas não houve amor. Nenhum. Nem em pequenas porções. Nem como sobra. Me admirei da admiração. Me realizei no meu desejo. Me frustrei na minha fantasia. Não diminui minha vaidade, ter sido tão ricamente enxergada. Pelo contrário. Mas no fundo o que fica? Admiração momentânea, que virou sonho. Não fez com que ninguém me amasse ou me quisesse mais. Não curou as feridas que os olhos, então, não revelavam. Então qual o sentido da espera? Se nem nela somos capazes da compreensão.


Os olhos me viram e não me tocaram. Se mantiveram distantes em observação. Os olhos não me viram. As mãos se tocaram. As bocas mentiram. Os caminhos não se cruzaram.

sábado, 16 de maio de 2015

A.b.s.o.l.u.t.o


Me lembro perfeitamente de como você me olhava. Um olhar doce, admirado, que mal cabe em si. Não acredito que tenha sido olhada com tamanha intensidade por mais ninguém, nem mesmo por você. O amor beirava o palpável, com se entre o seu olhar e o meu houvesse uma corrente mágica do mais puro encantamento. Você me olhava quieto, em silêncio, com a respiração baixa e cadente. O tempo parecia em suspensão. O ar, parado, como que para não atrapalhar. Aquilo era magia. Única. Ímpar. Plena. Não sei por quanto tempo você me olhou, mas quando me dei conta, ele pareceu infinito. Não mais pertencíamos a este mundo, porque não havia mundo além de nós. Nada mais fazia sentido ou tinha importância. Ali tínhamos tudo. E aquilo foi o absoluto.

sábado, 25 de abril de 2015

Logo ali

;;;


HOJE EU QUASE TE PERDOOEI
Incrível, não?
Aquela pontinha pequena
Leve
Que indica que
O que falaram sobre o tempo
Era verdade
E que passa
E ele chega
E cura

A cura
é escutar uma música sofrida
sem que seja
fora de contexto, ficou por algum lugar
Então fechamos gavetas
Devagar
Uma a uma
Leva uma vida
Talvez um pouco mais

Mas bem rápido
Com medo do que vem
Não se esquece
a pequena pontinha
(ela não tem mais como ir embora)
Apenas se pede que ela volte depois
Bem depressa

Se pudesse
Marcaria pra amanhã

Assim, de leve, se afasta um pouco a certeza
Se prepara para uma despedida
Elas sempre acontecem
E sai pra dançar

Tocou a  música certa do tchau

sábado, 21 de março de 2015


Em gordas linhas
Os rios correm
Por caminhos tortos
Se movem
A caminho de destinos
Inquestionáveis e certos

Como rio
Não me movo
Não me estanco
Não me retraio
Como rio
Transpiro
Como rio
Retorno

Irremediável
A chegada suprime o curso
Ainda que do caminho seja feita a vida
Corro para o fim
Sempre definitivo
Como quem foi rio
E rio voltará a ser

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

2015



2014 foi dos anos mais difíceis. Dizem que isso é bom, que nada é gratuito e que dificuldades fortalecem, que nem sempre somos capazes de entender o que é melhor para nós mesmos, mas que, especialmente, as grades dificuldades engrandecem. Espero que eu tenha sido capaz de apreender os ensinamentos do ano que acaba. É provável que, se tivesse escolha, teria escolhido várias coisas diferentes de como elas aconteceram. Mas não fui consultada para muitas delas. Sei que chego ao final do ano feliz porque ele se encerra e desejando que, com ele, se encerre um ciclo de tristeza e luto. Sei ainda que amanhã é um novo dia de uma continuidade maior chamada vida, que o dia não vai nascer diferente dos outros e que o Sol não se altera por datas festivas ou viradas de ano. Mas é possível se sentir diferente. É possível formalizar a troca, um ano par por um ímpar, o início de um novo ano que terá ainda aniversários, carnaval, férias e viagens com a família. Esse ano chegou, está chegando, vem para trazer esperança nos novos 365 de oportunidades únicas, que nunca existiram antes e que nunca se repetirão. Espero 2015 como criança que espera pela mágica, ansiosa por suas promessas ainda não feitas e seus momentos especiais. O ano que acaba se despede quase em silêncio, vai embora porque morreu e com ele morreram as esperanças que no último reveillon eu vislumbrei com tanto desejo. Há um ano, o ano que agora se encerra se desenhava tão diferente do que foi! Trazia uma perspectiva tão promissora que sua alteração brusca me fez viver um ano em suspensão. Parece que viver 2014 foi esperar que ele passasse, devagar e lentamente, levando embora, aos poucos, muitos sonhos. Hoje os sonhos são outros e se ainda não agradeço o crescimento de 2014 é porque ainda não possuo a distância necessária dele para compreender como ele foi completamente transformador. Foi um casulo no qual me protegi, olhei para dentro e me preparei para me lançar aos desafios que, de fato, são meus. Hoje entendo melhor quem eu sou. Hoje sei como é o amor. Hoje entendo que nem o maior amor do mundo te protege da decepção. Hoje sei que sobrevivo por mim e que volto aos meus mais remotos desejos para encontrar quem eu quero ser. Dei voltas e voltas em busca de mim e tenho a sensação pulsante de que em 2015 encontro comigo mesma. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Interior


Assim!
Se aproxime
Não tenha medo
De vir perto
Chegue mesmo
Sinta-se em casa
Se faça em casa
Tire as coisas do lugar
Ajuste-se como achar melhor
Te ajudarei
Logo que puder
Não traga coisas ainda
O espaço que te concedo
ainda é pouco
Eu sei
Mas será melhor assim
Tenho sempre receio de que algum imprevisto ocorra
Mas se achegue
Venha para perto
Gosto quando você me observa
Achando que não te vejo
Me amplio no seu olhar
Tenho esperanças com seu retorno
Me sinto mais feliz
Ainda que desconfiada
Sabe como é
Você já veio outras vezes
E a partida não tem nada de bom
Receio que você logo se vá
Por isso não traga nada
Mas venha
Fique
Se acomode
Do lado de dentro