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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Dona do cão


Trecho tirado do filme Cão sem dono, de Beto Brant e Renato Ciasca. O filme é baseado no livro Até o dia em que o cão morreu, de Daniel Galera. Li o livro logo depois de ver o filme pra ver se este poema tinha sido retirado do original literário, mas não foi.
Não sei quem escreveu, mas foi muito bem sucedido ao fazê-lo.
Ele foi reproduzido aqui como que lido - sentido - num fôlego só.

“Um embrião cansado
invade a escuridão da caverna
procurando uma saída.
Escuto o eco rebatido nas paredes da carne
refletindo no olho
o desespero da solidão.
A preguiça é o sono dos mortos.
Minha euforia necessita de calma,
e minha calma, de euforia.
Que se foda o resto do resto
Da sobra do que resta.
O restante é o que eu quero.
O amor do instante
é o instante em que estamos perto
da batida perfeita.
Os olhos são o início do real.
Meu cigarro tem um tempo de vida.
Minha vida necessita de um cigarro.
O que fazer?
O que comer?
Será que minha mãe estava certa?
Definitivamente, não.
Preciso de um coração
que bata descompassado
sem ritmo e sem melodia.
não quero a batida perfeita.
Quero o descompasso.
Me dê uma pista, uma lágrima
mas me dê algo”


De volta ao blog! Espero que, logo, com sentimentos escritos por mim.
Foto: apt/ Chapada Diamantina

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sei lá...


Primeiro post do ano: já passou Carnaval, Salvador, meu aniversário e continuo com a sensação de que não tenho muito o que dizer.
Mas hoje, mesmo sem palavras minhas, quis postar palavras dos outros. Uma forma de reverenciar a vida, que não pára. Nunca!

Sei lá a Vida Tem Sempre Razão
Vinicius de Moraes


Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão



Alcóolicamente interpretada pelos mestres:
http://www.youtube.com/watch?v=U2xOwsPm3WI&feature=related

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Hidden treasures


Apesar de não concordar com tudo (afinal de contas, concordar com tudo é muito chato!), adorei este texto. Recebi por e-mail e sei que ele reflete, salvas as devidas proporções e especifidades, o pensamento e as expectativas de muita gente que eu conheço.


Como eu ando mesmo sem muita inspiração para postar, dedicando meus pensamentos ao meu Diário de Bordo (impublicável, lógico), aproveito para agitar este blog com as palavras de Tatiane Bernardi.



Vivo(a) ou morto(a) - Meu reino por uma pessoa interessante



Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana. Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo: noites povoadas por pessoas com metade da minha idade e do meu bom senso. Nada contra adolescentes, muitos deles até são mais interessantes e vividos do que eu, mas tô falando dos de "fabricação em série". Tô fora de dançar os hits das rádios e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia.
Tinha me decidido a banir a palavra "balada" da minha vida e só sair de casa para jantar, ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult, desses que têm aberto aos montes em bequinhos charmosos. Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas, a boa música e um bom filme, sinto falta de um amor.Já tentei paquerar em cafés e livrarias, não deu muito certo, as pessoas olham sempre pra mim com aquela cara de "tô no meu mundo, fique no seu". Tentei aquelas festinhas que amigos fazem e que sempre te animam a pensar "se são meus amigos, logo devem ter amigos interessantes". Infelizmente, essas festinhas são cheias de casais e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém só porque os amigos estão todos acompanhados. Tô fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.
Baladas playbas com garotas prontas para um casamento e rapazes que exibem a chave do Audi, tô mais do que fora. Baladas playbas com garotas praianas hippie-chique que falam com voz entre o fresco e o nasalado (elas misturam o desejo de ser meigas com o desejo de ser manos com o desejo de ser patos) e rapazes garotos-propaganda Adidas com cabelinho playmobil, também tô fora.
MUNDO IDIOTA!! O que sobra então? Barzinhos de MPB? Nem pensar. Até gosto da música, mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados, bebem discutindo a melhor bunda da firma e depois choram "tristeza não tem fim, felicidade sim" no ombro do amigo têm grandes chances de ser aquele tipo que se acha superdescolado só porque tirou a gravata e porque fala tudo metade em inglês, ao estilo "quero te levar pra casa, how does it sound?"Para dançar, os muquifos eletrônicos alternativos são uma maravilha, mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo, não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados e com brinco pelo corpo todo. Tô procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra. Minha mais recente descoberta são as baladinhas também alternativas de rock. Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas, jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana. Gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana. Na praia, quem é interessante além de se isolar acorda cedo, aí fica aquela sensação (verdadeira) de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas.
Orkut, MSN, chats... me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nesta vida: a tal da química. Mas então onde, meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê. E eu? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindoo mais idiota de todos?
Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredom lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.
A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?