Me
lembro perfeitamente de como você me olhava. Um olhar doce, admirado, que mal
cabe em si. Não acredito que tenha sido olhada com tamanha intensidade por mais
ninguém, nem mesmo por você. O amor beirava o palpável, com se entre o seu
olhar e o meu houvesse uma corrente mágica do mais puro encantamento. Você me
olhava quieto, em silêncio, com a respiração baixa e cadente. O tempo parecia
em suspensão. O ar, parado, como que para não atrapalhar. Aquilo era magia. Única.
Ímpar. Plena. Não sei por quanto tempo você me olhou, mas quando me dei
conta, ele pareceu infinito. Não mais pertencíamos a este mundo, porque não
havia mundo além de nós. Nada mais fazia sentido ou tinha importância. Ali tínhamos
tudo. E aquilo foi o absoluto.
sábado, 16 de maio de 2015
sábado, 25 de abril de 2015
Logo ali
;;;
HOJE EU QUASE TE PERDOOEI
Incrível, não?
Aquela pontinha pequena
Leve
Que indica que
O que falaram sobre o tempo
Era verdade
E que passa
E ele chega
E cura
A cura
é escutar uma música sofrida
sem que seja
fora de contexto, ficou por algum lugar
Então fechamos gavetas
Devagar
Uma a uma
Leva uma vida
Talvez um pouco mais
Mas bem rápido
Com medo do que vem
Não se esquece
a pequena pontinha
(ela não tem mais como ir embora)
Apenas se pede que ela volte depois
Bem depressa
Se pudesse
Marcaria pra amanhã
Assim, de leve, se afasta um pouco a certeza
Se prepara para uma despedida
Elas sempre acontecem
E sai pra dançar
Tocou a música certa do
tchau
sábado, 21 de março de 2015
Em gordas linhas
Os rios correm
Por caminhos tortos
Se movem
A caminho de destinos
Inquestionáveis e certos
Como rio
Não me movo
Não me estanco
Não me retraio
Como rio
Transpiro
Como rio
Retorno
Irremediável
A chegada suprime o curso
Ainda que do caminho seja feita a vida
Corro para o fim
Sempre definitivo
Como quem foi rio
E rio voltará a ser
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
2015
2014 foi dos anos mais difíceis. Dizem que isso é bom, que nada é gratuito e que dificuldades fortalecem, que nem sempre somos capazes de entender o que é melhor para nós mesmos, mas que, especialmente, as grades dificuldades engrandecem. Espero que eu tenha sido capaz de apreender os ensinamentos do ano que acaba. É provável que, se tivesse escolha, teria escolhido várias coisas diferentes de como elas aconteceram. Mas não fui consultada para muitas delas. Sei que chego ao final do ano feliz porque ele se encerra e desejando que, com ele, se encerre um ciclo de tristeza e luto. Sei ainda que amanhã é um novo dia de uma continuidade maior chamada vida, que o dia não vai nascer diferente dos outros e que o Sol não se altera por datas festivas ou viradas de ano. Mas é possível se sentir diferente. É possível formalizar a troca, um ano par por um ímpar, o início de um novo ano que terá ainda aniversários, carnaval, férias e viagens com a família. Esse ano chegou, está chegando, vem para trazer esperança nos novos 365 de oportunidades únicas, que nunca existiram antes e que nunca se repetirão. Espero 2015 como criança que espera pela mágica, ansiosa por suas promessas ainda não feitas e seus momentos especiais. O ano que acaba se despede quase em silêncio, vai embora porque morreu e com ele morreram as esperanças que no último reveillon eu vislumbrei com tanto desejo. Há um ano, o ano que agora se encerra se desenhava tão diferente do que foi! Trazia uma perspectiva tão promissora que sua alteração brusca me fez viver um ano em suspensão. Parece que viver 2014 foi esperar que ele passasse, devagar e lentamente, levando embora, aos poucos, muitos sonhos. Hoje os sonhos são outros e se ainda não agradeço o crescimento de 2014 é porque ainda não possuo a distância necessária dele para compreender como ele foi completamente transformador. Foi um casulo no qual me protegi, olhei para dentro e me preparei para me lançar aos desafios que, de fato, são meus. Hoje entendo melhor quem eu sou. Hoje sei como é o amor. Hoje entendo que nem o maior amor do mundo te protege da decepção. Hoje sei que sobrevivo por mim e que volto aos meus mais remotos desejos para encontrar quem eu quero ser. Dei voltas e voltas em busca de mim e tenho a sensação pulsante de que em 2015 encontro comigo mesma.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Interior
Assim!
Se aproxime
Não tenha medo
De vir perto
Chegue mesmo
Sinta-se em casa
Se faça em casa
Tire as coisas do lugar
Ajuste-se como achar melhor
Te ajudarei
Logo que puder
Não traga coisas ainda
O espaço que te concedo
ainda é pouco
Eu sei
Mas será melhor assim
Tenho sempre receio de que algum imprevisto ocorra
Mas se achegue
Venha para perto
Gosto quando você me observa
Achando que não te vejo
Me amplio no seu olhar
Tenho esperanças com seu retorno
Me sinto mais feliz
Ainda que desconfiada
Sabe como é
Você já veio outras vezes
E a partida não tem nada de bom
Receio que você logo se vá
Por isso não traga nada
Mas venha
Fique
Se acomode
Do lado de dentro
Se aproxime
Não tenha medo
De vir perto
Chegue mesmo
Sinta-se em casa
Se faça em casa
Tire as coisas do lugar
Ajuste-se como achar melhor
Te ajudarei
Logo que puder
Não traga coisas ainda
O espaço que te concedo
ainda é pouco
Eu sei
Mas será melhor assim
Tenho sempre receio de que algum imprevisto ocorra
Mas se achegue
Venha para perto
Gosto quando você me observa
Achando que não te vejo
Me amplio no seu olhar
Tenho esperanças com seu retorno
Me sinto mais feliz
Ainda que desconfiada
Sabe como é
Você já veio outras vezes
E a partida não tem nada de bom
Receio que você logo se vá
Por isso não traga nada
Mas venha
Fique
Se acomode
Do lado de dentro
domingo, 18 de maio de 2014
Então eu soube
Então eu soube
Você tem nova companhia
Inevitável
Eu acho
Precoce
Eu diria
Mas o que sempre soube
É que você desconhece
A palavra sozinho
Não sei se por burrice
Ou por amor
Insisto no espanto
Hoje, enquanto o peito dói mais doído,
Nem sei se os dois se separam
Achei que o amor fosse mais bonito
Esperava dele mais nobreza
Vislumbrei dentro de mim o melhor
E desejei um pouco mais de dignidade
Na beleza
Triste mesmo é entender
Que você nunca me amou
Aceitar isso é minha próxima batalha
Cruel ter que matar quem a gente ama
Só me resta torcer
Para que esta seja a chave
Que faltava
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Caminho
E assim nos afastamos
Irremediavelmente
De forma definitiva
Para sempre
Por caminhos que talvez nunca mais se cruzem
E se nunca mais nos vermos?
Seria mesmo possível nunca mais nos vermos?
Culparia a vida
A chamaria estranha
Diria até que é cruel
Mas que culpa tem a vida por escolhas que são nossas!
Não, não poderia dizer que o acaso nos separou
Acaso foi o momento que nos uniu
Destino foi sua morada em mim
Espero não renegá-lo
Mas sabe como é
A vida
Tão cheia de encruzilhadas
Tão completa de sentidos
Sem sentido
Repleta de desilusões
Espero poder vê-lo
Entendi que você me enxergasse
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