segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sei lá...


Primeiro post do ano: já passou Carnaval, Salvador, meu aniversário e continuo com a sensação de que não tenho muito o que dizer.
Mas hoje, mesmo sem palavras minhas, quis postar palavras dos outros. Uma forma de reverenciar a vida, que não pára. Nunca!

Sei lá a Vida Tem Sempre Razão
Vinicius de Moraes


Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer
Depois da chegada vem sempre a partida
Porque não há nada sem separação

Sei lá, sei lá
A vida é uma grande ilusão
Sei lá, Sei lá
A vida tem sempre razão

A gente nem sabe que males se apronta
Fazendo de conta, fingindo esquecer
Que nada renasce antes que se acabe
E o sol que desponta tem que anoitecer
De nada adianta ficar-se de fora
A hora do sim é o descuido do não

Sei lá, sei lá
Só sei que é preciso paixão
Sei lá, sei lá
A vida tem sempre razão



Alcóolicamente interpretada pelos mestres:
http://www.youtube.com/watch?v=U2xOwsPm3WI&feature=related

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

200 888


Vim neste mundo
Pra me desorientar
Pra confundir
Misturar o quente
E o frio
O escuro
E o claro
O certo
E o errado

Vim neste mundo
Para me equilibrar
em meu descompasso
E me encontrar
em meus esconderijos
Não me achar
em minhas lembranças
E me perder
Em minha imaginação

Vim neste mundo
E fui marcada
Por borrões
E traços incompletos
Sonhos que não se reconhecem
sonhos
Amores que se machucam
e que se perdem
Pensamentos
que não se completam

Não sei porquê
vim neste mundo
Às vezes
nem sei se gosto dele
Mas é neste mundo
em que piso e vôo
Bebo e como
Me alegro e
me machuco

É nele que estão
meus amores
meus prazeres
meus suplícios
E para eles
vim neste mundo

Nos outros mundos
para os quais fui
Sozinha ou acompanhada
Também vivo e morro
Mas é só neste
em que me transformo



PARA OS QUE EU AMO MUITO
E PARA OS QUE EU AMO AINDA MAIS
...
INFINITOS 2008s.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sobre pontes e noites


Essa vida
Que é ponte
E escudo
É também palco
Da maior hesitação

E das dúvidas
Que se apresentam
E das chances
Que se entrelaçam
Surgem reflexos
E surgimos nós

Pensei em tanta coisa
agora
Que minha cabeça
Se turvou
E se fez branca
Pálida e fria

E em seu torpor
De não se lembrar
Esqueceu-se de
esquecer
Para rever a vida
Suas certezas
E os tons do entardecer

Vida breve


O que significa, de fato, morrer? Deixar este mundo, chegar num novo? A impossibilidade de ver as pessoas queridas? Para quem? Será que quem parte não consegue de certa forma ver, ouvir e acompanhar quem fica?
Será que quem fica não retém na memória a essência de quem foi, fazendo, assim, com que a imortalidade acompanhe todos aqueles que já foram amados?

Muito estranha essa vida. Como tudo acontece e a forma como as coisas acontecem.

Vi um filme neste final de semana em que uma menina tem uma quase-overdose de heroína e depois de alguns segundos de desespero dos que não estavam "viajando" ela acorda, volta, renasce(?) dizendo: "it was beautiful".
Será que é essa a sensação de quem vai? Uma paz, uma tranqüilidade, uma sensação de flutuação de quem deixa o corpo e liberta a alma? Se for isso, deve ser bom.

Mas e depois? E os que morrem em vida, aqueles que exilamos por gosto, vontade ou total falta de opção dos nossos dias e de nossas vidas. Por que escolhemos caminhos tão confusos assim? Por que sofremos com a ausência de alguém que está ai, do lado, morando tão perto mas mais inatingível do que os números da mega sena?

Hoje tenho uma tristeza e uma certa raiva. Tristeza por uma pessoa muito querida que partiu, que realmente está impossibilitada - fisicamente - de participar dos acontecimentos mundanos (às vezes tão cansativos) e que vai deixar saudades. Que mesmo longe, mesmo distante da minha realidade, foi uma figura importante da minha infância, uma tia muito querida e que me enchia de alegria a cada encontro (com a equivoca, porém gratificante, comparação com a linda Ingrid Bergman - literalmente, um luxo!).

E uma raiva que não gosto de sentir, mas que é mais forte do que minha capacidade de racionalizar situações. Só tenho uma observação a respeito: não precisava!

Dia triste, enfim.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sending out an S.O.S


I hope that someone gets my
Message in a bottle, yeah


Final de semana muito especial.
Eventos e datas únicas!!!

Obs. mudança do fundo em homenagem à participação de Lu Hermana Geller, conforme prometido vários posts atrás.
E viva o nove. (Lu, você não faz idéia de como esse seu comentário fez sentido para mim!! Coisa de irmã! rs)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tá faltando o quê?



Nem lembro se era essa a pergunta exata, mas foi essa a impressão registrada. Ela foi feita há algum tempo por uma amiga muito querida que queria, obviamente, me fazer prestar atenção em mim mesma. Na visão dela, acho, eu tinha tudo para desenvolver grandes coisas, que não fossem grandes para a humanidade, mas que fossem grandes para mim. Ou que fossem suficientes para me fazer feliz, fazer com que eu me encontrasse e me sentisse realizada - sei que essa busca pela própria realização virou quase uma obrigação, mas não vou falar sobre isso, vou considera essa busca como uma ação lógica de quem, obviamente, quer ser feliz.
Voltando à pergunta, eu achei que ela estava sendo respondida aos poucos. Achei que alguns acontecimentos iam me levar para um caminho específico, em que a realização fosse um fim. Mas nem de fins vivem nossos dias (graças a Deus), e a dúvida volta a me rondar.
Sei que de lá para cá outras decisões foram tomadas, algumas por mim, outras pelos outros e, ainda, as demais não foram necessariamente tomadas, afinal de contas, tem coisas na vida que a gente realmente não escolhe, elas simplesmente acontecem. Mas entre os acontecimentos, sei que hoje me pareço mais comigo, identifico e controlo melhor alguns traços da minha personalidade e, mais importante de tudo (neste momento), eu descobri - de verdade - que não faço questão nenhuma de agradar. Sei que isso pode parecer estranho, mas espero que fique claro que não é que eu não gosto de ser agradável com quem eu gosto, com quem está por perto, pelo contrário, é só que não vou ser diferente de quem eu sou para isso. Eu realmente não estou aqui para causar boa impressão! Este é um fato, esta é uma decisão
O mais curioso é que eu precisei ir muito longe geograficamente para descobrir uma coisa tão interna!
Por isso, obrigada Europa! Obrigada, diretamente: Bia, Maira, Tati, Herculano, Menezes (furão!!), Degas, Goya, Picasso, Renoir, Monet, Fortuny, Van Gogh, Courbert, Sorolla e outros. Obrigada, indiretamente, a tantas outras pessoas que seria injusto fazer qualquer citação.
De resto, quero viajar outra vez.
De resto, quer me encontrar.
De resto, quero que falte um pouco, mas bem pouco, só para eu saber que nada é completo ou perfeito. E que isso é bom!

Fotos de duas viagens diferentes em épocas diferentes.
Uma: Piri, um ano atrás. Continuo precisando de um banho de cachoeira!
Outra: Paris, um mês atrás. Em dia de muito frio, com a Maira e a Tati, ao fundo, e a Bia tirando a foto. E a gente de velo! Continuo precisando de Paris! Ah, e de abrir o olho nas fotos!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

(Ir)Reais


Meu vício
Em seu fascínio
Nada mais é
Que descrença
E medo do agora

Crença de que esta
Que sou eu
Pra você
De tão inalcançável
Seja mais pura

Duvido do real
E desejo
Esta que nunca existiu
Mas que você amou

Ou que, talvez,
Tenha existido
Numa ínfima porção
De tempo e espaço
Em que sonhos
São reais
E as noites
Intermináveis