terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Sobre pontes e noites


Essa vida
Que é ponte
E escudo
É também palco
Da maior hesitação

E das dúvidas
Que se apresentam
E das chances
Que se entrelaçam
Surgem reflexos
E surgimos nós

Pensei em tanta coisa
agora
Que minha cabeça
Se turvou
E se fez branca
Pálida e fria

E em seu torpor
De não se lembrar
Esqueceu-se de
esquecer
Para rever a vida
Suas certezas
E os tons do entardecer

Vida breve


O que significa, de fato, morrer? Deixar este mundo, chegar num novo? A impossibilidade de ver as pessoas queridas? Para quem? Será que quem parte não consegue de certa forma ver, ouvir e acompanhar quem fica?
Será que quem fica não retém na memória a essência de quem foi, fazendo, assim, com que a imortalidade acompanhe todos aqueles que já foram amados?

Muito estranha essa vida. Como tudo acontece e a forma como as coisas acontecem.

Vi um filme neste final de semana em que uma menina tem uma quase-overdose de heroína e depois de alguns segundos de desespero dos que não estavam "viajando" ela acorda, volta, renasce(?) dizendo: "it was beautiful".
Será que é essa a sensação de quem vai? Uma paz, uma tranqüilidade, uma sensação de flutuação de quem deixa o corpo e liberta a alma? Se for isso, deve ser bom.

Mas e depois? E os que morrem em vida, aqueles que exilamos por gosto, vontade ou total falta de opção dos nossos dias e de nossas vidas. Por que escolhemos caminhos tão confusos assim? Por que sofremos com a ausência de alguém que está ai, do lado, morando tão perto mas mais inatingível do que os números da mega sena?

Hoje tenho uma tristeza e uma certa raiva. Tristeza por uma pessoa muito querida que partiu, que realmente está impossibilitada - fisicamente - de participar dos acontecimentos mundanos (às vezes tão cansativos) e que vai deixar saudades. Que mesmo longe, mesmo distante da minha realidade, foi uma figura importante da minha infância, uma tia muito querida e que me enchia de alegria a cada encontro (com a equivoca, porém gratificante, comparação com a linda Ingrid Bergman - literalmente, um luxo!).

E uma raiva que não gosto de sentir, mas que é mais forte do que minha capacidade de racionalizar situações. Só tenho uma observação a respeito: não precisava!

Dia triste, enfim.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Sending out an S.O.S


I hope that someone gets my
Message in a bottle, yeah


Final de semana muito especial.
Eventos e datas únicas!!!

Obs. mudança do fundo em homenagem à participação de Lu Hermana Geller, conforme prometido vários posts atrás.
E viva o nove. (Lu, você não faz idéia de como esse seu comentário fez sentido para mim!! Coisa de irmã! rs)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tá faltando o quê?



Nem lembro se era essa a pergunta exata, mas foi essa a impressão registrada. Ela foi feita há algum tempo por uma amiga muito querida que queria, obviamente, me fazer prestar atenção em mim mesma. Na visão dela, acho, eu tinha tudo para desenvolver grandes coisas, que não fossem grandes para a humanidade, mas que fossem grandes para mim. Ou que fossem suficientes para me fazer feliz, fazer com que eu me encontrasse e me sentisse realizada - sei que essa busca pela própria realização virou quase uma obrigação, mas não vou falar sobre isso, vou considera essa busca como uma ação lógica de quem, obviamente, quer ser feliz.
Voltando à pergunta, eu achei que ela estava sendo respondida aos poucos. Achei que alguns acontecimentos iam me levar para um caminho específico, em que a realização fosse um fim. Mas nem de fins vivem nossos dias (graças a Deus), e a dúvida volta a me rondar.
Sei que de lá para cá outras decisões foram tomadas, algumas por mim, outras pelos outros e, ainda, as demais não foram necessariamente tomadas, afinal de contas, tem coisas na vida que a gente realmente não escolhe, elas simplesmente acontecem. Mas entre os acontecimentos, sei que hoje me pareço mais comigo, identifico e controlo melhor alguns traços da minha personalidade e, mais importante de tudo (neste momento), eu descobri - de verdade - que não faço questão nenhuma de agradar. Sei que isso pode parecer estranho, mas espero que fique claro que não é que eu não gosto de ser agradável com quem eu gosto, com quem está por perto, pelo contrário, é só que não vou ser diferente de quem eu sou para isso. Eu realmente não estou aqui para causar boa impressão! Este é um fato, esta é uma decisão
O mais curioso é que eu precisei ir muito longe geograficamente para descobrir uma coisa tão interna!
Por isso, obrigada Europa! Obrigada, diretamente: Bia, Maira, Tati, Herculano, Menezes (furão!!), Degas, Goya, Picasso, Renoir, Monet, Fortuny, Van Gogh, Courbert, Sorolla e outros. Obrigada, indiretamente, a tantas outras pessoas que seria injusto fazer qualquer citação.
De resto, quero viajar outra vez.
De resto, quer me encontrar.
De resto, quero que falte um pouco, mas bem pouco, só para eu saber que nada é completo ou perfeito. E que isso é bom!

Fotos de duas viagens diferentes em épocas diferentes.
Uma: Piri, um ano atrás. Continuo precisando de um banho de cachoeira!
Outra: Paris, um mês atrás. Em dia de muito frio, com a Maira e a Tati, ao fundo, e a Bia tirando a foto. E a gente de velo! Continuo precisando de Paris! Ah, e de abrir o olho nas fotos!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

(Ir)Reais


Meu vício
Em seu fascínio
Nada mais é
Que descrença
E medo do agora

Crença de que esta
Que sou eu
Pra você
De tão inalcançável
Seja mais pura

Duvido do real
E desejo
Esta que nunca existiu
Mas que você amou

Ou que, talvez,
Tenha existido
Numa ínfima porção
De tempo e espaço
Em que sonhos
São reais
E as noites
Intermináveis

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A la Dylan


Tanta coisa acontecendo tão rápido!

Uma viagem aqui, outra acolá. Milhões de livros para ler, o dobro de filmes para ver,um monte para estudar, uma galera para quem eu queria dar atenção...
Pelo menos neste final de semana vou poder encurtar a lista do último item!

Enquanto isso, meu estado de espírito está mais ou menos assim:

"She takes just like a woman
And she makes love just like a woman
An she aches just like a woman
But she breakes just like a litte girl"


Versão Bob Dylan. Sempre.

Foto em homenagem à próxima viagem e às suas inevitáveis e deliciosas lembranças.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Ah, a inspiração...




Nada mais temperamental do que a inspiração. Vem e vai quando quer, sem hora marcada, sem desculpas ou paliativos. Dona da própria vontade e senhora de si, não se sujeita a vontades alheias.

Antipática essa tal de inspiração, não?
Na verdade, não!

Pode até parecer um pouco pomposa, não nego. Quase esnobe, a intuição. Mas por ter como premissa básica a falta do uso do raciocínio discursivo e por buscar captar a realidade ideal de algo, imagino que ela possa se dar o direito da escolha.
Aliás, com inspiração é preciso estimular, mas nunca forçar.

Criar um ambiente favorável e torcer para que ela venha!

Nessa semana precisamos de inspiração. Essa coisa de brincar de Cinema é fogo, dá um trabalho danado e o mais simples pode ficar complicadíssimo e vice-versa.

O trabalho das Górgonas foi meio crazy. Foi interessante, mas trabalhoso. Agora vamos ver o que vai virar. Desafios são sempre bem vindos e a hora agora é de aprendizado. Mas juro que vou tentar ficar amiga dessa dona ai, a Inspiração!


Fotos do processo criativo. Eu, Paulo e Danilo com nosso super ator, Thithola!