quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Tá faltando o quê?



Nem lembro se era essa a pergunta exata, mas foi essa a impressão registrada. Ela foi feita há algum tempo por uma amiga muito querida que queria, obviamente, me fazer prestar atenção em mim mesma. Na visão dela, acho, eu tinha tudo para desenvolver grandes coisas, que não fossem grandes para a humanidade, mas que fossem grandes para mim. Ou que fossem suficientes para me fazer feliz, fazer com que eu me encontrasse e me sentisse realizada - sei que essa busca pela própria realização virou quase uma obrigação, mas não vou falar sobre isso, vou considera essa busca como uma ação lógica de quem, obviamente, quer ser feliz.
Voltando à pergunta, eu achei que ela estava sendo respondida aos poucos. Achei que alguns acontecimentos iam me levar para um caminho específico, em que a realização fosse um fim. Mas nem de fins vivem nossos dias (graças a Deus), e a dúvida volta a me rondar.
Sei que de lá para cá outras decisões foram tomadas, algumas por mim, outras pelos outros e, ainda, as demais não foram necessariamente tomadas, afinal de contas, tem coisas na vida que a gente realmente não escolhe, elas simplesmente acontecem. Mas entre os acontecimentos, sei que hoje me pareço mais comigo, identifico e controlo melhor alguns traços da minha personalidade e, mais importante de tudo (neste momento), eu descobri - de verdade - que não faço questão nenhuma de agradar. Sei que isso pode parecer estranho, mas espero que fique claro que não é que eu não gosto de ser agradável com quem eu gosto, com quem está por perto, pelo contrário, é só que não vou ser diferente de quem eu sou para isso. Eu realmente não estou aqui para causar boa impressão! Este é um fato, esta é uma decisão
O mais curioso é que eu precisei ir muito longe geograficamente para descobrir uma coisa tão interna!
Por isso, obrigada Europa! Obrigada, diretamente: Bia, Maira, Tati, Herculano, Menezes (furão!!), Degas, Goya, Picasso, Renoir, Monet, Fortuny, Van Gogh, Courbert, Sorolla e outros. Obrigada, indiretamente, a tantas outras pessoas que seria injusto fazer qualquer citação.
De resto, quero viajar outra vez.
De resto, quer me encontrar.
De resto, quero que falte um pouco, mas bem pouco, só para eu saber que nada é completo ou perfeito. E que isso é bom!

Fotos de duas viagens diferentes em épocas diferentes.
Uma: Piri, um ano atrás. Continuo precisando de um banho de cachoeira!
Outra: Paris, um mês atrás. Em dia de muito frio, com a Maira e a Tati, ao fundo, e a Bia tirando a foto. E a gente de velo! Continuo precisando de Paris! Ah, e de abrir o olho nas fotos!

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

(Ir)Reais


Meu vício
Em seu fascínio
Nada mais é
Que descrença
E medo do agora

Crença de que esta
Que sou eu
Pra você
De tão inalcançável
Seja mais pura

Duvido do real
E desejo
Esta que nunca existiu
Mas que você amou

Ou que, talvez,
Tenha existido
Numa ínfima porção
De tempo e espaço
Em que sonhos
São reais
E as noites
Intermináveis

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A la Dylan


Tanta coisa acontecendo tão rápido!

Uma viagem aqui, outra acolá. Milhões de livros para ler, o dobro de filmes para ver,um monte para estudar, uma galera para quem eu queria dar atenção...
Pelo menos neste final de semana vou poder encurtar a lista do último item!

Enquanto isso, meu estado de espírito está mais ou menos assim:

"She takes just like a woman
And she makes love just like a woman
An she aches just like a woman
But she breakes just like a litte girl"


Versão Bob Dylan. Sempre.

Foto em homenagem à próxima viagem e às suas inevitáveis e deliciosas lembranças.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Ah, a inspiração...




Nada mais temperamental do que a inspiração. Vem e vai quando quer, sem hora marcada, sem desculpas ou paliativos. Dona da própria vontade e senhora de si, não se sujeita a vontades alheias.

Antipática essa tal de inspiração, não?
Na verdade, não!

Pode até parecer um pouco pomposa, não nego. Quase esnobe, a intuição. Mas por ter como premissa básica a falta do uso do raciocínio discursivo e por buscar captar a realidade ideal de algo, imagino que ela possa se dar o direito da escolha.
Aliás, com inspiração é preciso estimular, mas nunca forçar.

Criar um ambiente favorável e torcer para que ela venha!

Nessa semana precisamos de inspiração. Essa coisa de brincar de Cinema é fogo, dá um trabalho danado e o mais simples pode ficar complicadíssimo e vice-versa.

O trabalho das Górgonas foi meio crazy. Foi interessante, mas trabalhoso. Agora vamos ver o que vai virar. Desafios são sempre bem vindos e a hora agora é de aprendizado. Mas juro que vou tentar ficar amiga dessa dona ai, a Inspiração!


Fotos do processo criativo. Eu, Paulo e Danilo com nosso super ator, Thithola!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Brasil brasileiro


"As crianças não têm o que calçar, vestem-se todos os dias com as mesmas roupas, comem carne, quando muito, uma vez por semana, dormem no chão sem piso de um casebre sem banheiro e brincam em um riacho de esgoto.
(...)
Na última sexta, não comeram nada de manhã. O barraco da família não tem água. A luz é clandestina, puxada do poste da rua. O esgoto, uma vala negra, que corre no quintal. As crianças só andam descalças. Pisam nos dejetos sem dar importância. É o chão delas, afinal. Para trabalhar, o casal deixa as crianças aos cuidados da filha de 11 anos.".

Esse caso está na coluna de hoje do Clóvis Rossi, que cita matéria de Jânio Freitas e Vinicius Torres Freira sobre os índices de redução da miséria no país. O caso acima, por incrível que pareça, é a história e a realidade de uma família que, segundo a FGV, responsável pelo estudo, não é miserável.

Em época de primavera, com flores começando a brotar, índices da Bolsa de Valores batendo recordes e a popularidade do nosso amado, estimado e querido presidente Lula também nas alturas, fico imaginado: o que seria miséria, afinal?

Faço a pergunta de um lugar bem confortável, com uma vida boa, emprego, salário e condições econômicas para fazer, se não tudo que eu gostaria, a maioria das coisas que tenho vontade. Sem extravagâncias, é claro! Mas ainda de uma situação de quem foi favorecida, não sei se pela sorte, pelo destino, por merecimento, pela vida. Mas isso não importa. O desconhecimento prático e a zona de conforto não são suficiente para que eu não saiba o que é a miséria. E sinceramente o quadro acima figura entre índice de miséria para mim.

A sensação de impotência é grande, o descontentamento com o governo e com um povo (me incluindo nele, é claro) é maior ainda. Da zona de conforto, parece hipocrisia falar isso, mas me sinto realmente assim: entre o choque, a tristeza e a inércia.
Um pouco perdida entre sonhos que gostaria de seguir - e que venho seguindo, de certa forma - e um compromisso que parece maior do que eu mesma, mesma que eu não saiba como agir.

Enquanto isso, fica o frio desse começo de primavera, a saudade de tanta coisa e a reles alegria de quem sonhou três sonhos numa noite só!




Mural de recados:

Lu, adorei sua visita, mas para pedir mudanças tem que virar assídua. Regras do fotolog: depois de três tentativas, posso atender seus pedidos, hermana!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Nietzsche, o fofo


Achei esse trecho de um texto de Nietzsche e, apesar de ir contra o próprio texto, decidi publicar. Não é uma imitação, é uma citação concordada.

E se ele achar ruim, espero que venha tirar satisfações. Isso ai, chamando Nietzsche pra briga. U-hu... Tô macho "pácarai".



Moro em minha própria casa
Nada imitei de ninguém
E ainda ri de todo mestre
Que não riu de si também.



foto: Guatelli; Caio

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Suas areias cobriram meus pés...



Mais um sobrinho, aliás, mais um afilhado! Dinda twice: uebaaaaaaaaa. Depois de conhecer o Henrique, começo a me despedir da Manu. Essa vida de tia orfã tá foda. Vários sobrinhos, mas todos tão longe... Triste não acompanhar todas as etapas de perto, mas fico feliz por revê-los mais crescidos, mudados e cada vez mais espertos e lindos.

Este 7 de setembro foi especial. Depois de muitos anos fui para o Araguaia, riozão, famoso "corgão" do Goiás, que banha e dá vida a uma parte importante do Cerrado. Atravessa o Estado, oferece aos goianos uma possibilidade maravilhosa de praia, nos coloca em contato com a natureza, suas belezas e seus mistérios. Lembrando que a água é vida! E que delícia de vida.

A viagem foi especial. Não só pelo tempo que me separa da minha última ida ao Araguaia mas pelas viagens que eu pude fazer por lá. Em determinado momento, tive a nitida sensação de que o universo conspirava para que eu estivesse naquele lugar, naquele momento, daquele jeito! Fantástico. E indescritível. Único, mágico, compensador.

O duro é voltar para a realidade e seus compromissos. Essa terra árida - e ao mesmo tempo tão fértil - que é São Paulo, minha atual casa, onde agora a minha vida acontece. Rever pessoas, costumes, conversas, sotaques me trouxe à memória uma vida que já foi minha e da qual abri mão. Decidi percorrer outro caminho, trilhar outra estrada, vislumbrar outro horizonte. E voltando, por mais que sinta falta de algumas coisas, tenho certeza absoluta que não abandonei nada que não quisesse abandonar.

Viagens podem ser para dentro e, mesmo com aquela beleza exuberante do Araguaia, meu 7 de setembro foi um resgate de raízes, das quais não abro mão, e, ao mesmo tempo, a confirmação do meu presente e das minhas escolhas. Enfim, um feriado para recarregar energias e seguir em frente.

MURAL DE RECADOS:

Beatrix, fico muito feliz que você tenha estado lá comigo, que tenha gostado do Araguaia e que a gente já tenha o programa roots do próximo julho. Love you, Sister!

Irmão, tks pelo convite. Uma honra ser madrinha desse menino lindo que é o Henrique.

Irmã, já estou com saudades.

Tati, precisamos conversar! Urgente.


Fotos: (1) nascer do sol; (2)lembranças, lembranças, lembranças.