Tão bom quando dá vontade de escrever.
Tão bom quando a vontade de escrever não vem da dor. Porque,
sim, escrever alivia. Então que alegria reconhecer quando a sensação interna é
tão boa que a vontade de “alívio” é uma forma de expansão.
Colocar para fora é se expor. E por muitas vezes é sentir um
pouco outra vez, é recordar, é deixar partir. E da tristeza pode se fazer o
belo.
Mas escrever é também transformar em palavras a sensação da
alma. O contentamento do estar.
A vida é repleta de momentos perfeitos. E não é,
necessariamente, a perfeição o que determina o sublime. É a pertencimento que o
acompanha. A realização plena do instante.
Entendo agora o “estar presente”. Se o vivi várias vezes,
talvez só hoje o tenha identificado assim. Como quando conhecemos um lugar aos
poucos e, de repente, juntamos pedaços, espaços que já eram conhecidos, mas que
não formavam um todo.
Essa constatação é hoje presença. Não esperança, desejo,
expectativa.
Mas existência.
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