terça-feira, 12 de abril de 2011

As ideias me escapam...


Pensei em te escrever

Dizer algo sobre o gosto

Do doce de leite

Que ficou na minha boca

Me lembrando, docemente, de você

Meu paladar

Seu tato

Sentidos deliciosamente confusos

Turvos

Embaçados pela vontade

De te ter mais perto

Pela impossibilidade que agride


Calma! Calma! Calma!


Aquieta, coração confuso

Pára minha cabeça

Impeça-a de girar

Voar em torno de tantas rotas

De criar tantos obstáculos

De procurar uma fuga

Quase nunca honrosa

Quase sempre segura

Retorno à bolha

Em que sentir se condensa

E se dilui

Mas não machuca


Machuca a lágrima

Que escorre sem permissão

Sem ser autorizada

Nasce gorda

Pura e doída

De possibilidades

De impossibilidades

Do que pode

Ou do que nunca vai ser


Mas que já é

Sem querer

Sem saber

Aqui dentro

Escondido

Prestes a estourar

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