Pensei em te escrever
Dizer algo sobre o gosto
Do doce de leite
Que ficou na minha boca
Me lembrando, docemente, de você
Meu paladar
Seu tato
Sentidos deliciosamente confusos
Turvos
Embaçados pela vontade
De te ter mais perto
Pela impossibilidade que agride
Calma! Calma! Calma!
Aquieta, coração confuso
Pára minha cabeça
Impeça-a de girar
Voar em torno de tantas rotas
De criar tantos obstáculos
De procurar uma fuga
Quase nunca honrosa
Quase sempre segura
Retorno à bolha
Em que sentir se condensa
E se dilui
Mas não machuca
Machuca a lágrima
Que escorre sem permissão
Sem ser autorizada
Nasce gorda
Pura e doída
De possibilidades
De impossibilidades
Do que pode
Ou do que nunca vai ser
Mas que já é
Sem querer
Sem saber
Aqui dentro
Escondido
Prestes a estourar