"As crianças não têm o que calçar, vestem-se todos os dias com as mesmas roupas, comem carne, quando muito, uma vez por semana, dormem no chão sem piso de um casebre sem banheiro e brincam em um riacho de esgoto.
(...)
Na última sexta, não comeram nada de manhã. O barraco da família não tem água. A luz é clandestina, puxada do poste da rua. O esgoto, uma vala negra, que corre no quintal. As crianças só andam descalças. Pisam nos dejetos sem dar importância. É o chão delas, afinal. Para trabalhar, o casal deixa as crianças aos cuidados da filha de 11 anos.".
Esse caso está na coluna de hoje do Clóvis Rossi, que cita matéria de Jânio Freitas e Vinicius Torres Freira sobre os índices de redução da miséria no país. O caso acima, por incrível que pareça, é a história e a realidade de uma família que, segundo a FGV, responsável pelo estudo, não é miserável.
Em época de primavera, com flores começando a brotar, índices da Bolsa de Valores batendo recordes e a popularidade do nosso amado, estimado e querido presidente Lula também nas alturas, fico imaginado: o que seria miséria, afinal?
Faço a pergunta de um lugar bem confortável, com uma vida boa, emprego, salário e condições econômicas para fazer, se não tudo que eu gostaria, a maioria das coisas que tenho vontade. Sem extravagâncias, é claro! Mas ainda de uma situação de quem foi favorecida, não sei se pela sorte, pelo destino, por merecimento, pela vida. Mas isso não importa. O desconhecimento prático e a zona de conforto não são suficiente para que eu não saiba o que é a miséria. E sinceramente o quadro acima figura entre índice de miséria para mim.
A sensação de impotência é grande, o descontentamento com o governo e com um povo (me incluindo nele, é claro) é maior ainda. Da zona de conforto, parece hipocrisia falar isso, mas me sinto realmente assim: entre o choque, a tristeza e a inércia.
Um pouco perdida entre sonhos que gostaria de seguir - e que venho seguindo, de certa forma - e um compromisso que parece maior do que eu mesma, mesma que eu não saiba como agir.
Enquanto isso, fica o frio desse começo de primavera, a saudade de tanta coisa e a reles alegria de quem sonhou três sonhos numa noite só!
Mural de recados:
Lu, adorei sua visita, mas para pedir mudanças tem que virar assídua. Regras do fotolog: depois de três tentativas, posso atender seus pedidos, hermana!
5 comentários:
Hermana,
Que bom que gostou. O fato é que entro sempre, mas não costumo deixar recados!Por isso, parece que não entro!
Em relação a sua indignação, faço minha suas palavras!!!! e aproveito para comentar que miséria é também a mente dos que egoístas pensam somente em tirar proveito de tudo em benefício próprio.
Que usam e abusam do poder para manipular. Isso é miserável...
E que venham as flores para alegrar, pelo menos, a visão dos que sofrem com a displicencia já incorporada em muitos de nossa sociedade!!!!
Namastê!!!!!
Sister,
saudades de vc por perto...
Precisamos marcar o jantar das Lulus, ne?
Qdo der, leia o texto do meu fotolog. Algumas passagens me lembraram conversas nossas.
Love ya.
Sis
So pra vc nao dizer q eu nao deixo recado no seu fotolog... ok, fazia um tempinho q nao entrava aqui...
como sempre adorei, texto e foto, mas muito triste...
beijos, saudades...
rafa
Boa Paulinha, ótima critica parabéns mais uma vez, com certeza ver crianças falando "sobrou alguma moeda" enquanto vc esta saindo da padaria e não considerar aquilo como miserável, eu não sei o que é ser miserável. E o pior é este governo do “povo” usar como propagando política isto.
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