sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Momixada


Ontem, ou melhor, no dia anterior a ontem, apesar de tecnicamente ainda ser ontem, porque eu ainda não dormi, fui ao Momix. Cia norte americana de dança, acrobacia e mágica.
Por causa deles compreendi o significado deste trecho da música do meu atual vício – Lobão -, que diz: “nem sempre se vê/ mágica no absurdo, mágica no absurdo, mágicaaaaaaaaaa…”. Por mais que a vontade me faça querer falar da parte mais óbvia da música (“ta tudo cinza sem você – desculpa, mas essa música me faz sofrer e quando a música me faz sofrer… fodeu!) preciso manter minha atenção.

Voltando.
Por mais que a música me faça dar essa “escapadela”, vendo o Momix, um dia desses, eu percebi como o absurdo nos parece, sim, mágica. Vendo homens voando, bailarinos flutuando e gente virando aranha (ou luz, como preferir), percebi que pode ser que a graça esteja mesmo em não entender. Mas o encantamento está justamente no absurdo da situação.

Hoje falamos – ou talvez eu tenha pensado – em estranhamento, na aula. E eu concordo com a idéia principal: é o choque, o impacto, o estranhamento que eles nos causam que são capazes de nos tocar. Embora de maneira, ao meu ver, equivocada, o choque virou recurso. Virou ferramenta.

E percebo que talvez agora seja a hora do estranhamento. Ou talvez seja muito cedo. Mas entendo que pensar no estranhamento, levá-lo em consideração faz parte deste meu momento. E que, independente de qual momento vivo agora, fico feliz que as coisas me façam pensar. Esse processo educativo/ criativo me faz ter boas idéias. E apura meus sentidos.

O espetáculo foi Lunar Sea (não tenho certeza que o nome é esse, mas não varia muito disso) e ele foi realmente encantador. Assim como são a Lua e o mar.

Quando era muito criança, me acostumei a (ou tenho boas lembranças de) ouvir uma música que minha mãe cantava para eu dormir: “lua que no céu flutua, lua que nos dá luar…”. Escrita aqui ela vem sem o tom de voz da minha mãe, o embalo do sono, o carinho de quem está prestes a se entregar ao sonho, mas a lua fez parte do meu mundo de fantasias. Por isso, talvez, ela seja, para mim, tão especial. Ou talvez porque ela me remeta aos beijos dos apaixonados. Ou ainda porque simbolize noites de céu estrelado e lua cheia com as inúmeras possibilidades que esse cenário pode oferecer.
O fato é que a falta de gravidade também está na veia. No vício desesperado por sensações. Pela vontade louca de viver momentos inesquecíveis - de amor ou de dor, pouco importa -, mas de sentir e de não ter chão.

E de viver na Lua. Gravidade zero. Onde tudo é possível.

A beleza do espetáculo talvez seja exatamente esta – a de ser estritamente particular!


Obs. Foto em Maromba. E por definição: fora de contexto.

2 comentários:

BiaDias disse...

Baby, de tanto ouvir vc falar do Lobao, hoje acordei com "Sim pro sol, sim pra lua,..." na cabeca. Coincidencia, nao?

Mais um fds chegou e esse vem com nova programacao... vou pegar carona no seu papel de tia e estou adorando a nova experiência.

Bjos elétricos pra vc que tb é eclética! ihihihihi lembrou?

Renato Bottino disse...

Parabéns pelo curso que vc começou
(não sou espião não rs) a Gê que me falou outro dia no Empanadas que te encontrou lá. È vero?Podíamos ter umas cinco vidas não acha? porque esse é um rumo que eu tomaria fáácil tb, mas só me faltava essa.
A verdade é que esse negócio de ter foco na vida é um saco, mas eu acho que vc tem tudo a ver com cinema viu, (outros focos) até porque no cinema tudo pode.

ps. vê se dá um pulo na expo lá no SPD4 na quarta!

bj