2015
2014 foi dos anos mais difíceis. Dizem que isso é bom, que nada é gratuito e que dificuldades fortalecem, que nem sempre somos capazes de entender o que é melhor para nós mesmos, mas que, especialmente, as grades dificuldades engrandecem. Espero que eu tenha sido capaz de apreender os ensinamentos do ano que acaba. É provável que, se tivesse escolha, teria escolhido várias coisas diferentes de como elas aconteceram. Mas não fui consultada para muitas delas. Sei que chego ao final do ano feliz porque ele se encerra e desejando que, com ele, se encerre um ciclo de tristeza e luto. Sei ainda que amanhã é um novo dia de uma continuidade maior chamada vida, que o dia não vai nascer diferente dos outros e que o Sol não se altera por datas festivas ou viradas de ano. Mas é possível se sentir diferente. É possível formalizar a troca, um ano par por um ímpar, o início de um novo ano que terá ainda aniversários, carnaval, férias e viagens com a família. Esse ano chegou, está chegando, vem para trazer esperança nos novos 365 de oportunidades únicas, que nunca existiram antes e que nunca se repetirão. Espero 2015 como criança que espera pela mágica, ansiosa por suas promessas ainda não feitas e seus momentos especiais. O ano que acaba se despede quase em silêncio, vai embora porque morreu e com ele morreram as esperanças que no último reveillon eu vislumbrei com tanto desejo. Há um ano, o ano que agora se encerra se desenhava tão diferente do que foi! Trazia uma perspectiva tão promissora que sua alteração brusca me fez viver um ano em suspensão. Parece que viver 2014 foi esperar que ele passasse, devagar e lentamente, levando embora, aos poucos, muitos sonhos. Hoje os sonhos são outros e se ainda não agradeço o crescimento de 2014 é porque ainda não possuo a distância necessária dele para compreender como ele foi completamente transformador. Foi um casulo no qual me protegi, olhei para dentro e me preparei para me lançar aos desafios que, de fato, são meus. Hoje entendo melhor quem eu sou. Hoje sei como é o amor. Hoje entendo que nem o maior amor do mundo te protege da decepção. Hoje sei que sobrevivo por mim e que volto aos meus mais remotos desejos para encontrar quem eu quero ser. Dei voltas e voltas em busca de mim e tenho a sensação pulsante de que em 2015 encontro comigo mesma.