terça-feira, 22 de novembro de 2011

Duplas solta


Queria que esta fosse uma observação sua: as minhas pintas duplas. Uma sempre ligada à outra por uma linha, imaginária. Retas entre dois pontos. Meus pontos. Vários pontos. Minhas pintas que, se bem observadas, demonstram esse padrão. Característica peculiar, sutil, besta até, se eu não tivesse me atentado para ela. E dai, ela passa a ser uma não percepção sua. Mania de implicar? Talvez. Talvez seja apenas minha vontade de que você, logo você, seja capaz de perceber a parte menos óbvia de mim.

Voltando aos pontos, ou melhor, às pintas, gosto desse jogo que elas fazem pelo meu corpo. Pequenas, e as vezes grandes, duplas espalhadas e ligadas entre si. Eu as enxergo assim - tão nítidas quanto as Três Marias, esse infinito cósmico - conectadas. Mesmo que ninguém mais veja. Mesmo que você nem ache graça. Um charme incompreendido. Abandonado injustamente.

Faço jogos para conectá-las. E sei que esse é um padrão que eu decifrei. Ainda que algumas apareçam soltas, tenho certeza que fui eu que ainda soube localizar seu par.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paz de horizonte


Tentaria te contar histórias

Ou fazer com que seu corpo me aceitasse

Mas vejo o amor sem cor

E perco a coragem do ato

A força se esvai

O coração se esquiva

Deixo de lado minhas tentativas

Pelo medo do imaginado

Desisto de mostrar mais

E acabo ficando com menos


Excesso, ausências

Qual a dose certa do amor?


Talvez a angústia seja outra

E sua natureza venha de outro lugar

Independente da sua origem

Preciso aprender a niná-la

Para que assim ela sossegue

E nos deixe em paz