terça-feira, 25 de setembro de 2007

Brasil brasileiro


"As crianças não têm o que calçar, vestem-se todos os dias com as mesmas roupas, comem carne, quando muito, uma vez por semana, dormem no chão sem piso de um casebre sem banheiro e brincam em um riacho de esgoto.
(...)
Na última sexta, não comeram nada de manhã. O barraco da família não tem água. A luz é clandestina, puxada do poste da rua. O esgoto, uma vala negra, que corre no quintal. As crianças só andam descalças. Pisam nos dejetos sem dar importância. É o chão delas, afinal. Para trabalhar, o casal deixa as crianças aos cuidados da filha de 11 anos.".

Esse caso está na coluna de hoje do Clóvis Rossi, que cita matéria de Jânio Freitas e Vinicius Torres Freira sobre os índices de redução da miséria no país. O caso acima, por incrível que pareça, é a história e a realidade de uma família que, segundo a FGV, responsável pelo estudo, não é miserável.

Em época de primavera, com flores começando a brotar, índices da Bolsa de Valores batendo recordes e a popularidade do nosso amado, estimado e querido presidente Lula também nas alturas, fico imaginado: o que seria miséria, afinal?

Faço a pergunta de um lugar bem confortável, com uma vida boa, emprego, salário e condições econômicas para fazer, se não tudo que eu gostaria, a maioria das coisas que tenho vontade. Sem extravagâncias, é claro! Mas ainda de uma situação de quem foi favorecida, não sei se pela sorte, pelo destino, por merecimento, pela vida. Mas isso não importa. O desconhecimento prático e a zona de conforto não são suficiente para que eu não saiba o que é a miséria. E sinceramente o quadro acima figura entre índice de miséria para mim.

A sensação de impotência é grande, o descontentamento com o governo e com um povo (me incluindo nele, é claro) é maior ainda. Da zona de conforto, parece hipocrisia falar isso, mas me sinto realmente assim: entre o choque, a tristeza e a inércia.
Um pouco perdida entre sonhos que gostaria de seguir - e que venho seguindo, de certa forma - e um compromisso que parece maior do que eu mesma, mesma que eu não saiba como agir.

Enquanto isso, fica o frio desse começo de primavera, a saudade de tanta coisa e a reles alegria de quem sonhou três sonhos numa noite só!




Mural de recados:

Lu, adorei sua visita, mas para pedir mudanças tem que virar assídua. Regras do fotolog: depois de três tentativas, posso atender seus pedidos, hermana!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Nietzsche, o fofo


Achei esse trecho de um texto de Nietzsche e, apesar de ir contra o próprio texto, decidi publicar. Não é uma imitação, é uma citação concordada.

E se ele achar ruim, espero que venha tirar satisfações. Isso ai, chamando Nietzsche pra briga. U-hu... Tô macho "pácarai".



Moro em minha própria casa
Nada imitei de ninguém
E ainda ri de todo mestre
Que não riu de si também.



foto: Guatelli; Caio

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Suas areias cobriram meus pés...



Mais um sobrinho, aliás, mais um afilhado! Dinda twice: uebaaaaaaaaa. Depois de conhecer o Henrique, começo a me despedir da Manu. Essa vida de tia orfã tá foda. Vários sobrinhos, mas todos tão longe... Triste não acompanhar todas as etapas de perto, mas fico feliz por revê-los mais crescidos, mudados e cada vez mais espertos e lindos.

Este 7 de setembro foi especial. Depois de muitos anos fui para o Araguaia, riozão, famoso "corgão" do Goiás, que banha e dá vida a uma parte importante do Cerrado. Atravessa o Estado, oferece aos goianos uma possibilidade maravilhosa de praia, nos coloca em contato com a natureza, suas belezas e seus mistérios. Lembrando que a água é vida! E que delícia de vida.

A viagem foi especial. Não só pelo tempo que me separa da minha última ida ao Araguaia mas pelas viagens que eu pude fazer por lá. Em determinado momento, tive a nitida sensação de que o universo conspirava para que eu estivesse naquele lugar, naquele momento, daquele jeito! Fantástico. E indescritível. Único, mágico, compensador.

O duro é voltar para a realidade e seus compromissos. Essa terra árida - e ao mesmo tempo tão fértil - que é São Paulo, minha atual casa, onde agora a minha vida acontece. Rever pessoas, costumes, conversas, sotaques me trouxe à memória uma vida que já foi minha e da qual abri mão. Decidi percorrer outro caminho, trilhar outra estrada, vislumbrar outro horizonte. E voltando, por mais que sinta falta de algumas coisas, tenho certeza absoluta que não abandonei nada que não quisesse abandonar.

Viagens podem ser para dentro e, mesmo com aquela beleza exuberante do Araguaia, meu 7 de setembro foi um resgate de raízes, das quais não abro mão, e, ao mesmo tempo, a confirmação do meu presente e das minhas escolhas. Enfim, um feriado para recarregar energias e seguir em frente.

MURAL DE RECADOS:

Beatrix, fico muito feliz que você tenha estado lá comigo, que tenha gostado do Araguaia e que a gente já tenha o programa roots do próximo julho. Love you, Sister!

Irmão, tks pelo convite. Uma honra ser madrinha desse menino lindo que é o Henrique.

Irmã, já estou com saudades.

Tati, precisamos conversar! Urgente.


Fotos: (1) nascer do sol; (2)lembranças, lembranças, lembranças.